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Luz azul dos telemóveis não afeta só o sono (pode também causar cegueira)

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(CC0/PD) MoteOo/ Pixabay

A luz azul emitida pelos ecrãs dos smartphones pode causar danos na visão

A luz emitida pelos ecrãs de smartphones pode ser muito prejudicial para a saúde ocular e levar mesmo à cegueira, conclui um estudo recente da Universidade de Toledo, nos Estados Unidos.

A tecnologia faz parte do nosso dia-a-dia e este é um facto que já não podemos negar. A população já não se consegue desligar do mundo e isso faz com que surjam várias preocupações acerca do impacto dos dispositivos digitais na saúde física e mental.

Cientistas norte-americanos levaram a cabo uma investigação, publicada recentemente na Scientific Reports, que avaliou as consequências que a luz azul dos ecrãs dos dispositivos eletrónicos pode ter na visão.

A equipa concluiu que a exposição prolongada à luz azul pode, além de interferir com o sono, causar danos irreversíveis nos olhos e acelerar a cegueira. Embora não fosse novidade para os investigadores que a exposição à luz provoca danos na retina ocular, “o mecanismo subjacente não estava claro”.

A experiência, realizada em ratinhos, tinha como objetivo analisar a degeneração das células, conta o jornal Público. Segundo os cientistas, foi possível perceber que a luz azul causa danos na retina, provocando um conjunto de reações que leva ao desenvolvimento de moléculas tóxicas.

Essas moléculas tóxicas causam a morte dos fotorrecetores presentes na retina, uma fenómeno frequentemente associado à degeneração macular relacionada com a idade (DMRI), uma doença que afeta a visão e causa uma grande parte dos casos de cegueira.

De um modo geral, a luz azul emitida por estes dispositivos transforma as moléculas presentes na retina do olho em moléculas “assassinas” das células fotorrecetoras através da libertação de substâncias nocivas. Face às outras cores, a luz azul tem um menor comprimento de onda e uma maior energia.

Kasun Ratnayake, estudante de doutoramento na Universidade de Toledo e co-autor do estudo, refere que “quando as células do olho estão mortas, estão mortas para sempre“, sendo estes danos irreversíveis.

“Não é segredo nenhum que a luz azul prejudica a nossa visão ao danificar a retina do olho. As nossas experiências explicam como isso acontece, e esperamos que isso leve a terapias que retardem a degeneração macular, como um novo tipo de colírio” (gotas para os olhos), refere Ajith Karunarathne, professor do departamento de química e bioquímica da Universidade de Toledo e autor do estudo.

Durante a experiência, os investigadores introduziram também moléculas da retina noutros tipos de células do corpo, como células cancerígenas, cardíacas ou neurónios e verificaram que, quando expostas à luz azul, também morrem. “A toxicidade gerada na retina pela luz azul é universal. Pode matar qualquer tipo de célula”, conclui Karunarathne.

Os cientistas aconselham o uso de óculos que filtrem os raios Ultra Violeta e a luz azul e evitar usar dispositivos em locais às escuras.

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