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Mito dos ovos que flutuam: Afinal, não há maneira de saber se um ovo está contaminado

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Esqueça o tão conhecido teste dos ovos que flutuam. Este é só um dos vários mitos com que um projeto europeu se deparou, numa investigação que pretende melhorar a segurança alimentar nas famílias.

Segundo a sabedoria popular, comer um ovo que se afunda numa caneca de água é seguro, mas um ovo que flutua está estragado. Isto é o que toda a gente pensa, mas Paula Teixeira, do grupo de investigação em Microbiologia e Segurança Alimentar da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto (UCP), diz que é errado.

“Não há maneira de saber se um ovo está contaminado por bactérias, porque elas não se veem”, afirma a investigadora, acrescentando que se um ovo flutua, isso significa que já tem algum tempo, mas não que está contaminado. “Já um ovo que se afunda pode perfeitamente estar contaminado com bactérias.”

Este é um mito que passa de geração em geração e que se “perpetua na prática das famílias”, mas é apenas um dos muitos mitos que a equipa de cientistas se confrontou no projeto europeu SafeconsumE, cujo objetivo é promover as melhores práticas de manuseamento, confeção e conservação dos alimentos e, assim, garantir a segurança alimentar nas famílias.

De acordo com o Diário de Notícias, o grupo de Paula Teixeira fez, durante o primeiro ano de trabalho, o levantamento das rotinas relacionadas com a alimentação de 15 famílias portuguesas de várias regiões do país.

Foram várias as surpresas que impressionaram os cientistas, que chegaram à conclusão que existem vários mitos que estão muito difundidos não só em Portugal, como também em todo o globo. O projeto baseou-se no acompanhamento de famílias em Portugal, na Roménia, Noruega, França e Hungria.

Além do mito dos ovos que flutuam, os especialistas depararam-se também com a ideia – muito vulgarizada, de que o cozinheiro tem sempre as mãos lavadas, isto porque está sempre em contacto com a água. E adivinhe: é mentira.

“Nunca tinha ouvido, mas as pessoas acreditam nisso, e não é verdade, refere Paula Teixeira. Na verdade, onde há alimentos e água, há também bactérias a crescer. Além disso, lavar as mãos não se baseia em passá-las por água apenas.

Há ainda o mito de que um alimento que caiu ao chão não tem problema para a saúde se for apanhado em menos de cinco segundos, acrescenta a investigadora. Mas se para alguns mitos “nem são necessários testes científicos”, outros necessitam de validação.

É o caso dos ovos pasteurizados que, segundo dizem, são menos saborosos. “Já fizemos um painel sensorial e confirmámos que é uma ideia errada, as pessoas não conseguem identificar diferenças de sabor”, afirma.

Atualmente, o projeto encontra-se na segunda fase, na qual as equipas recolhem, numa plataforma centralizada, os contributos de quem quiser partilhar as suas regras, conselhos, práticas e hábitos no manuseamento, confeção e conservação dos alimentos.

Vamos testar em laboratório a validade de algumas destas práticas, para perceber se influem na contaminação dos alimentos e se devem ser alteradas e, se sim, definir que recomendações terão de ser feitas pelo projeto”, adianta a investigadora.

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