Início Ciência Astrónomos podem ter descoberto de que se “alimentam” os buracos negros

Astrónomos podem ter descoberto de que se “alimentam” os buracos negros

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NASA/SOFIA/Lynette Cook

Os buracos negros são um mistério. Sabe-se muito pouco sobre estas densas regiões do espaço carregadas de gravidade, onde nem a luz consegue escapar. Um grupo de cientistas fez progressos neste sentido, podendo ter descoberto de que se “alimentam” os buracos negros.

Estima-se que os buracos negros supermassivos se escondam no coração da maioria das galáxias mas, até então, ninguém conseguiu explicar por que motivo alguns destes buracos negros “devoram” tudo que está à sua volta e outros não.

Recentemente, o Observatório Estratosférico para Astronomia Infravermelha (SOFIA) detetou que campos magnéticos “capturam” o pó acumulado no centro da galáxia ativa Cygnus A, entregando-a depois ao buraco negro que está no seu centro.

A pesquisa, publicada em julho na The Astrophysical Journal Letters, pode ajudar a elucidar os mecanismos que determinam a atividade dos buracos negros, explicando por que razão alguns são extremamente ativos enquanto outros parecem estar a “adormecidos”.

Até então, os cientistas não foram capazes de explicar a atividade dos buracos negros, assim como também não conseguiram descobrir como se formam as nuvens de poeira nem como estas permanecem em torno do núcleo da galáxia – agora, e de acordo com as novas observações, a resposta pode estar nos campos magnéticos.

Os dados recolhidos pelo SOFIA sugerem que os campos magnéticos podem ser responsáveis por manter a poeira suficientemente perto, de forma a que o buraco negro consiga “saciar a sua fome”, devorando-a.

E, por isso, uma das diferenças fundamentais entre galáxias ativas, como Cygnus A, e galáxias mais passivas, como é o caso da Via Láctea, pode ser a presença ou ausência de um forte campo magnético em torno do buraco negro.

O fenómeno foi observado através da câmara de alta precisão HAWC+, que capturou o comprimento de onda em infravermelho. Os campos magnéticos são especialmente difíceis de observar no espaço e, por isso, os cientistas recorrem à luz polarizada.

“Estas observações do HAWC+ são únicas. As imagens mostram-nos como é que a polarização infravermelha pode contribuir para o estudo das galáxias”, disse o astrónomo Enrique Lopez-Rodriguez do SOFIA.

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