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Os olhos podem revelar alterações cognitivas em doentes de esclerose múltipla

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foshydog / Flickr

Uma equipa da Universidade do Minho descobriu que os movimentos dos olhos podem “revelar alterações cognitivas em pessoas com esclerose múltipla”.

Uma equipa da Universidade do Minho descobriu que os movimentos dos olhos podem “revelar alterações cognitivas em pessoas com esclerose múltipla”, podendo a descoberta influenciar a escolha de tratamentos e técnicas de acompanhamento da doença, revelou esta quinta-feira aquela instituição.

Em comunicado enviado à Lusa, a Universidade do Minho (UMinho) explica que a investigação, cujos resultados foram publicados na revista científica norte-americana PeerJ, demonstrou que “os portadores de esclerose múltipla têm problemas a realizar os movimentos mais comuns do olho, ou seja, quando o olho muda rapidamente em direção a algo específico”.

A esclerose múltipla, explica o texto, “surge quando a cobertura das células nervosas do cérebro e da espinal medula é danificada” podendo levar à visão dupla e cegueira num olho, além de comprometer funções coordenadoras gerais como sensibilidade, locomoção, força muscular, audição e excreção.

“Na prática, as pessoas diagnosticadas com aquela doença levaram mais tempo a iniciar o movimento ocular e, depois, a fixar com precisão o alvo visual. Por outro lado, ao olharem voluntariamente para outra direção, por exemplo, para o lado esquerdo quando uma luz piscava no lado direito, mostraram mais dificuldades a fazê-lo face a pessoas sem aquela doença”, aponta a UMinho.

A pesquisa, explana o texto, “mostrou que aqueles movimentos oculares são um marcador quantitativo de danos neurais, ao comprometer a capacidade de inibir ou controlar as respostas impulsivas (ou automáticas) da pessoa com esclerose múltipla”.

Segundo salienta o texto, a descoberta “pode influenciar a escolha de novos tratamentos e as técnicas de acompanhamento da progressão da doença”.

A equipa multidisciplinar da UMinho envolveu o Centro de Física, o Centro de Matemática, o Centro de Biologia Molecular e Ambiental e o Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde, nomeadamente os cientistas Marisa Borges Ferreira, Paulo Alexandre Pereira, Marta Parreira, Inês Sousa, José Figueiredo, João Cerqueira e António Filipe Macedo, sendo este último também da Universidade de Linnaeus, na Suécia.

A doença atinge 5000 a 6000 portugueses (oito casos em cada 10.000), dois terços dos quais são mulheres, e a sua esperança de vida é de menos cinco a dez anos face à média nacional.

A patologia ainda sem cura deve-se à combinação de fatores ambientais, genéticos e infecciosos, como faltar vitamina D, contrair o vírus Epstein Barr e ter alguns genes sinalizados e específicos.

O tratamento é multidisciplinar, envolvendo às vezes fármacos (para prevenir surtos, proteger o cérebro e a progressão da incapacidade) e, quase sempre, reabilitação (fisioterapia, ginástica, natação, treino cognitivo, atividades sociais, banhos de sol), que pode melhorar significativamente a qualidade de vida do doente.

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