Início Ciência Conhecer resultados de testes de ADN pode alterar o funcionamento do corpo

Conhecer resultados de testes de ADN pode alterar o funcionamento do corpo

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No ano passado, testes de ADN proporcionaram a milhões de pessoas em todo o mundo um novo nível de conhecimento sobre como os genes funcionam, ajudando a prever o seu risco genético para certas doença.

Novas estudos sugerem que este tipo de conhecimento genético não é apenas informativo, mas também pode ser transformador – sendo que os resultados de ADN conferem uma espécie de efeito placebo genético que afeta o funcionamento do corpo.

“Receber informações genéticas não o torna apenas mais informado”, explica a psicóloga e investigadora novo estudo, Alia Crum, da Universidade de Stanford. “O que este estudo mostra é que também pode ter um impacto fisiológico no corpo de uma maneira que realmente altera o perfil geral de risco”.

Numa experiência, relatada no estudo publicado na revista Nature Human Behaviour a 10 de dezembro, os investigadores recolheram amostras de ADN de mais de 200 participantes. O grupo foi dividido em dois grupos menores, com mais de 100 membros. Um desses grupos realizou um teste de exercício numa passadeira, enquanto o outro grupo fez uma pequena refeição.

Uma semana depois, os participantes voltaram para uma repetição da experiência, mas com uma diferença crucial. Desta vez, antes de fazer o segundo teste, receberam informações sobre os resultados do seu teste genético – com um truque.

Especificamente, em vez de dizer aos participantes os resultados genéticos reais, disseram resultados aleatórios. O grupo de exercício foi informado de que possuíam uma variante do gene associada à pior capacidade de exercício aeróbico, ou um gene que lhes dava resistência extra.

Da mesma forma, metade do grupo alimentar foi informado aleatoriamente que poderiam ser geneticamente predispostos à obesidade devido a uma variante do gene que tornava mais difícil a sensação de plenitude após a ingestão; aos outros disseram que os seus genes promoviam sensações que ajudavam a protegê-los da obesidade.

Depois de receberem esses resultados aleatórios errados, a mera transmissão dessa informação falsa afetou o desempenho nos testes seguintes.

Aqueles na passadeira que tiveram a impressão de que a sua capacidade aeróbica estava prejudicada, tiveram mais dificuldade em correr – e desistiram mais cedo do que no primeiro teste. Aqueles que acreditavam que tinham a variante do gene de resistência, por outro lado, realizaram o mesmo.

Já no teste de alimentação, aqueles que acreditavam de que poderiam estar predispostos à obesidade fizeram o mesmo que antes, classificando os níveis de saciedade de maneira semelhante e produzindo níveis semelhantes de uma hormona de plenitude no sangue. Os participantes que acreditavam estar protegidos da obesidade produziram cerca de mais 250% da hormona da plenitude no sangue.

De acordo com os investigadores, não é uma má ideia fazer os teste de ADN. Mas é preciso que as pessoas estejam cientes que a informação genética pode ter um efeito mensurável na nossa fisiologia, mesmo se não formos geneticamente predispostos para certas coisas.

“A mentalidade de estar geneticamente em risco ou protegido pode alterar a forma como nos sentimos, o que fazemos e, como mostra este estudo, como os corpos respondem“, disse Crum.

“Embora muito ainda deva ser explorado, estas conclusões representam um grande avanço na nossa compreensão do impacto da revelação do risco genético e sugere que a aprendizagem do risco genético de obesidade pode, na verdade, exacerbar o risco“, escrevem os autores.

Com tudo o que se sabe sobre o efeito placebo e os seus misteriosos poderes sobre o corpo e a mente, não é de admirar que a informação genética possa ser também sugestiva. Mas dada a contínua explosão de testes de ADN, este é um efeito colateral importante que as pessoas precisam de saber.

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