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Detetada a mais poderosa (e mais longínqua) colisão de buracos negros já observada

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LIGO

Conceção artística da colisão de dois buracos negros por Aurore Simonnet

Astrónomos detetaram quatro novas ondas gravitacionais, fazendo, assim, um total de 11 deteções. Uma delas é mais poderosa colisão de buracos negros alguma vez registada.

Do total, dez deteções têm origem na fusão binária de buracos negros e uma na fusão de duas estrelas de neutrões, que são os restos densos de explosões estelares. Uma fusão de buraco negro estava extraordinariamente distante e foi a explosão mais poderosa já observada na astronomia.

Os cientistas detetaram deformações no tecido espaço-tempo resultantes da colisão entre dois buracos negros. O Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferómetro Laser (LIGO) revelou ter encontrado, além disso, quatro novas ondas gravitacionais – ondulações na curvatura do espaço-tempo que se propagam à velocidade da luz e que testemunham a fusão entre dois corpos celestes extremamente densos.

De acordo com o relatório, no ano passado, já havia sinais de que essas ondas gravitacionais tinham agitado as antenas do LIGO, mas não eram tão evidentes como os que protagonizavam as ondas gravitacionais detetadas anteriormente.

Após uma análise mais cuidadosa aos dados, o LIGO foi capaz de chegar a certas conclusões: aquele sinal era mesmo uma onda gravitacional provocado pela colisão de dois buracos negros gigantescos.

Um dos buracos negros tinha uma massa 34 vezes maior que a do Sol e outro tinha a massa de 50 sóis. Este último é o maior alguma vez observado e traz pistas para um fenómeno que ainda não conhecemos na totalidade. É que os cientistas acreditam que nenhuma estrela morta possa ter sido criado um buraco negro tão grande. É possível que ele tenha nascido da fusão de outros buracos negros mais pequenos.

Agora, o novo buraco negro resultado da estrondosa colisão deve ter formado outro buraco negro com a massa de 80 sóis. Isso está de acordo com as previsões do astrofísico Stephen Hawking, que sugeriu que, quando dois buracos negros se juntam, a área do novo buraco negro vai ser mais pequena do que a soma daqueles que lhe deram origem. O corpo celeste na origem deve ser um verdadeiro agregador de outros buracos negros.

As únicas coisas que podemos saber sobre os buracos negros é a velocidade a que rodam sobre eles próprios e a massa, por isso é que John Wheeler, um dos últimos colaboradores de Albert Einstein, dizia que os buracos negros “não têm cabelo”, ou seja, não desvendam grandes pormenores sobre eles. Já Stephen Hawking dizia que talvez seja possível que os buracos negros emitam de vez em quando uma partícula que transporte informação.

Os dados que temos ao nosso dispor não foram poucos para encontrar novidades neste fenómeno. Esta não é apenas a maior colisão entre dois buracos negros alguma vez observada pelos cientistas. Ao ocorrer a nove mil milhões de anos-luz da Terra, esta também se tornou na colisão entre dois buracos negros mais longínqua alguma vez detetada no espaço.

As conclusões das novas descobertas foram publicadas a 30 de novembro no arxiv.

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