Início Crónicas Crónica: Conheça o Bolsonaro, presidente eleito do Brasil, através da visão de quem...

Crónica: Conheça o Bolsonaro, presidente eleito do Brasil, através da visão de quem conviveu com a realidade do Brasil e com sua história

COMPARTILHAR
Presidente do Brasil Jair Bolsonaro

Caro leitores, inicio meu texto a perguntar: 

Conheces realmente o novo presidente do Brasil Jair Bolsonaro ou conheces o que a imprensa te disse sobre ele? 

Antes de mais nada, tenho que dizer que é importante sabermos sobre o Brasil, um país que influencia directamente a Portugal e sua economia, já que vendemos e compramos seus produtos e, portanto, dependemos dessa aliança. 

Devemos também reconhecer que muitos luso-brasileiros tem sido responsáveis por uma grande mudança na economia portuguesa. Pessoas que nasceram no Brasil, mas que descendem directamente de sangue português e portugueses nascidos em Portugal que com coragem migraram para além-mar em busca de novos desafios. Tratamos os portugueses do Brasil como desbravadores, a herdar uma hereditariedade de navegadores que naquela altura estavam a conquistar o mundo, e conquistaram um país de proporção continental chamado Brasil, e que ainda hoje continuam a conquistá-lo.

São eles, os portugueses que deixaram Portugal para desbravar o Brasil em diferentes décadas, que hoje são donos de hotéis, concessionárias Mercedes, BMW, Audi, restaurantes, construtoras entre muitos outros empreendimentos aqui em Portugal. Conheço a maioria, seja no norte ou no sul do país, muitos do Rio de Janeiro que faziam parte da colônia em que cresci. São os portugueses que ensinaram seus filhos a amar Portugal acima de tudo, mesmo cá não residindo. E foi esta cultura nacionalista que fez com que muitos de seus filhos regressassem a terra de seus descendentes. 

Uma prévia sobre o Brasil para perceber o porquê de Bolsonaro ter sido eleito

O Brasil é um dos países mais miscigenados do mundo. Lá encontrando todas as raças e religiões que possam existir, com uma grande predominância européia no sul e sudeste e africana no nordeste. Sua mistura racial na região sudeste deu-se devido ao tamanho das cidades e a necessidade de mão de obra, que na década de 50 do século 20, atraíram imigrantes italianos, árabes, portugueses, japoneses e alemães. Some-se a isso os milhões de africanos que estavam no Brasil, que foram alforriados pela Princesa Isabel em 1888. O Brasil é a somatória do sangue europeu, com o sangue oriental, africano e índio.

Ao longo de décadas, o Brasil foi um bom país para empreender e ganhar dinheiro, a tornar-se um dos países com mais milionários no mundo. O crescimento de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo foi impulsionado por migrantes da região nordeste do Brasil, a mais pobre daquele país, que forneceram mão de obra barata para os sectores de construção civil, serviços gerais e afins.

No entanto, esse desenvolvimento, feito nestes moldes, não veio acompanhado de justiça social. A desigualdade social é um dos maiores problemas do Brasil, que tem áreas de seu território mais ricas com IDH que assemelha-se ao de muitos países desenvolvidos, e áreas pobres típicas de países subdesenvolvidos, que o IDH chega a aproximar-se ao de África. 

E é nesse cenário que aparece a figura de Bolsonaro. 

Mesmo as pessoas que pertencem a uma elite económica e social no Brasil, de classe média a alta, já não tinham mais sua segurança garantida. Apesar de experimentar um estado de bem estar social, a elite brasileira tem medo de andar às ruas e assim, passaram alguns a comprar carros blindados para proteger-se. Ao passo que, alguns indivíduos da classe mais pobre, principalmente das favelas, esquecidos pelo poder público, encontraram através da contravenção e do tráfico de drogas, meio de enriquecimento ilícito, como uma versão brasileira do narcotraficante colombiano Pablo Escobar, e passaram a armar-se e enriqueceram-se com a máfia das drogas: uma herança latina, reflexo da alta produção de drogas nos países vizinhos. 

A situação veio a piorar. Todos, indistintamente, sejam as classes média-baixa, média, média-alta e ricos, tornaram-se vítimas da violência, que tornou-se incontrolável em algumas regiões. 

Em tópicos, de forma objectiva, vou detalhar-lhes o porquê da maioria dos brasileiros neste domingo elegerem Bolsonaro, e o motivo desta onda pró-Bolsonaro que alastra-se pelo país, apesar das acusações que este sofre de preconceito racial, homofobia e apoio ao fascismo.

Segurança Pública

Bolsonaro falou em armar a população. Claro, não seria dado a qualquer um a portar uma arma.A proposta é que o cidadão teria que ser qualificado para tal. Mas, de certa forma, teria-se uma população armada para defender-se.

Maioridade penal – O PT (Partido dos trabalhadores), que esteve no poder por 13 anos no país, defendia interesses que beneficiariam presidiários, como por exemplo a soltura de criminosos que cometeram pequenos delitos. Sabe-se que o PT é fortemente vinculados às lideranças de movimentos de Direitos Humanos, cuja presidente era do partido. Sim, lá existe o mesmo Direitos Humanos que há cá e em diversos países. Bolsonaro votou para que a maioridade penal fosse reduzida, para 16 anos, após um menor estuprar e matar uma jovem. O PT foi em defesa do estuprador e alegou que ele tinha problemas mentais, e precisava de ajuda médica. Já Bolsonaro apoiou que ele fosse preso e que fosse feita castração química. Hoje esse menor encontra-se solto, livre para cometer mais crimes.

Como Deputado Federal, Bolsonaro posicionou-se ao lado da Polícia, e defendeu que policial que matasse qualquer bandido obtivesse excludente de licitude, sem que este passasse por uma investigação. A idéia era que a policia entrasse nas favelas e tivesse permissão para matar criminosos e sujeitos potencialmente perigosos, que estivessem com armas nas mãos, considerados ameaça a ordem pública, sem que houvesse inquéritos posteriores. Muitos o apoiaram, cansados da violência, e a tendência ao discurso de ódio predominou na população, que hoje em grande parte defende a pena de morte. 

É difícil imaginar a consequência do pensamento de quem vive em meio a violência se não vives nela. A população que vive em regiões violentas e sofrem diretamente com a violência, tem uma percepção diferente de quem não passa por essa experiência. 

Subsídios do governo 

Assim como Portugal, o Brasil dá diversos tipos de subsídios. Há quem diga que um pobre no Brasil pode receber o equivalente de quase um salário mínimo português, o que no Brasil dá para muita coisa, sem fazer nada, e para isso basta ter filhos e declarar oficialmente pobreza. Isto criou uma grande massa de pessoas que não querem fazer nada, não querem produzir. Esses subsídios, muitos deles, vieram do partido social comunista PT, que até bolsa travesti criou. Travestis em São Paulo, por exemplo, recebem o equivalente a 200 euros mensais por serem travestis. 

No Brasil o facto de ser negro, já faz com que o indivíduo receba bolsa para estudar, criando assim uma diferença de raças, como se o negro precisasse de privilégios, desmerecendo-o, como se este tivesse menor capacidade. Bolsonaro posicionou-se contra essa “facilidade”, contra o sistema de cotas raciais e contra a verba dada aos descendentes dos escravos, chamados quilombolas. Bolsonaro alega que ele, nem tampouco nossa geração, tem culpa do que foi a escravidão no Brasil, e declarou que subsidiar negros é um atestado de racismo descarado, diferenciando-os. 

Para um país de cultura capitalista como o Brasil, onde as pessoas consomem o tempo inteiro, grupos consumistas foram os responsável pelo surgimento de forte rejeição ao grupo que se contenta e subsiste com as chamadas “bolsas” dadas pelo governo, e assim de-se início a uma bolha.

Custo de vida no Brasil 

O Brasil é um dos países com mais impostos no mundo. Um famoso jogador de futebol sérvio que vive no Brasil, Dejan Petkovic, chegou a dizer-me: “vocês são muito ricos aqui, pois com tantos impostos ainda conseguem ter uma vida consumista”. 

Uma das promessas de Bolsonaro foi a diminuição dos impostos, da carga tributária, simplificando-os em um imposto único. O que viu-se na era PT, foi que os impostos só cresceram, ao passo que a economia enfraqueceu-se, com escândalos de corrupção em grandes empresas, e a consequente queda de suas acções na Bolsa de Valores.

Religião e família 

A ideal socialista comunista do PT atraía jovens estudantes universitários, grupos LGBT, e grupos de usuários de drogas a favor de pautas ditas progressistas, de liberação de drogas e casamento gay, e de mais subsídios e auxílios econômicos do governo para parcelas da sociedade. Com o tempo, isto tornou-se numa “modinha”, a ponto de surgirem cada vez mais homossexuais, não por convicção própria, mas por influência de movimentos ligados ao PT. Isto causou revolta da outra parte da população, mais preconceituosa e de conservadores. Deste modo, aumentaram os relatos de casos de homofobia, racismo e outros preconceitos. 

Apesar da miscigenação, paradoxalmente, o Brasil é um país preconceituoso. Isto é algo que Portugal poderá tornar-se também devido a imigração e a mistura de raças que está a acontecer de forma rápida no país. Já é observado que quanto maior a miscigenação, maior o preconceito. 

A questão LGBT tornou-se uma moda tão grande, que jovens induziam outros jovens a ter relações homossexuais, experimentar e abrir-se ao novo. Nunca ouviu-se falar de tantos casos de professores relacionando-se com alunos como nos últimos anos, e nunca havia-se visto tantas pessoas do mesmo sexo a andar de mãos dadas nas ruas.

O partido PT chegou a pedir aprovação de um livro para crianças menores de 10 anos de idade, que ensina como é o sexo entre homossexuais. Isto foi o ápice para Bolsonaro revoltar-se e pregar que o tema não é cabível para crianças, e que quanto a questões sexuais, cabe aos pais o momento certo de tocar no assunto com seus filhos.

O Brasil é um país de predominância católica, seguido de evangélicos e depois espíritas. As famílias ao perceberem seus filhos a envolver-se com uma cultura liberal, favorável a liberação de drogas, ao homossexualismo e a revolução, além de uma ânsia de independência absoluta, quase anárquica, na contramão de certos valores conservadores, essas famílias viram em Bolsonaro e no seu discurso uma salvação. 

Bolsonaro sempre falou nos valores da família e da religião, e pregava o militarismo como forma de controle e ordem pública em prol do conservadorismo. 

Seu radicalismo, sinceridade extrema, luta pelos valores da família, posicionamento severo contra a violência e contra a corrupção, era o grito de ‘chega’ e de ‘mudança’ que grande parte do povo brasileiro precisava para sair da actual situação, que não é apenas a crise económica, mas de valores. 

Seus discursos, falas, trechos de discussões, são suficientes como prova atos de homofobia, racismo e questões que fizeram com que o acusassem de fascista. Mas em todos esse tema há controvérsias e interpretações que o livram de uma acusação concreta sobre tais atos, além da imunidade parlamentar que é dada aos políticos brasileiros, o que fez que uma parte dos gays e negros do Brasil também votassem nele, apesar destas falas que lhe são imputáveis.

Corrupção 

O maior escândalo de corrupção da história do mundo ocidental aconteceu no Brasil, e na gestão do PT – Partido socialista comunista, onde foram desviados trilhões de Reais (moeda brasileira). Sim, o montante desviado, de 5 trilhões, é até maior que o PIB brasileiro.

Bolsonaro foi um dos poucos políticos que não esteve envolvido em corrupção, e seu discurso era de combater não só a corrupção, mas também o partido mais corrupto da história, que tem como líder o ex-presidente da república Luis Inácio Lula da Silva, que está preso e condenado por corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. 

Imprensa e rede social 

Essa foi uma eleição diferente de todas as outras. Bolsonaro, sem o chamado fundo partidário, que movimenta bilhões no Brasil, sem verba para campanhas milionárias, e a concorrer ao pleito por um pequeno partido, o PSL, usou das redes sociais para promover suas ideias e se defender. Já o PT, gastou quase um bilhão de reais (algo como 250 milhões de euros) na campanha de Fernando Haddad, o escolhido por Lula para representá-lo no pleito.

É histórico que a imprensa brasileira seja socialista, de viés esquerdista, e que de forma indutiva, tentou eleger Fernando Haddad a publicar matérias que tinham parecer favorável ao candidato. 

Bolsonaro foi uma das pessoas mais investigadas do mundo neste período. Nunca na história do Brasil quiseram tanto derrubar uma pessoa, ainda que não encontrassem provas contra ele. Até mesmo sua vida pessoal foi invadida, para tentar encontrar algo que desmontasse sua força e narrativa frente a opinião pública. No entanto, quanto mais se colocavam a tentar derrubá-lo, quanto mais criavam histórias sem provas, mais Bolsonaro estava a crescer e a ganhar eleitores. 

De nada serviu a tentativa de indução psicológica da imprensa, da TV nem dos artistas brasileiros, que parte, eram contra Bolsonaro, com a campanha #EleNão. O facto é que sabiam que se, caso ele ganhasse, acabariam os benefícios de uma lei que os beneficiam, a lei Rouanet. 

Concluo meu raciocínio a dizer que, foi um descendente de italiano com alemão, nascido no interior de São Paulo, mas que viveu a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro, em quem o povo espelhou-se para novamente criar esperanças de mudança. Foi numa extrema direita radical que o povo depositou seu ódio contra uma sociedade à beira de tornar-se Sodoma e Gomorra, de valores deturpados, jovens revoltados, violência e corrupção descontrolada. 

Nota: Gosto sempre de dizer que: vá ao Brasil para percebê-lo. Mas não só ao Rio de Janeiro. Vá ao Sul, São Paulo, ao Nordeste. Cada estado é como se fosse um país diferente, onde a cultura diverge do estereótipo, de acordo com sua história e peculiaridades. 

“A vitoria deu-se pela silenciosa consciência, de uma aprovação inconsciente. Enquanto alguns reprovavam suas acções, muitos as aprovavam inconscientemente. 

A unir isso com a revolta e necessidade de mudança, nem a imprensa, nem a pressão, fizeram diferença diante da vontade de solução”.

Crónica de Fabiano de Abreu – filósofo, jornalista e pesquisador político

www.deabreu.pt

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

16 − 1 =

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.