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Terror em Alcochete: jogadores podem rescindir em bloco e suspeitam de “encomenda” de Bruno

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José Sena Goulão / Lusa

Foi “o dia mais negro da história do Sporting”, com jogadores e equipa técnica a viverem momentos de terror na Academia de Alcochete, onde foram agredidos por cerca de 50 adeptos de cara tapada. Um caso que pode ter consequências trágicas para o clube, havendo o risco de plantel a avançar em bloco para a rescisão por justa causa.

Os jogadores do Sporting podem avançar com a “rescisão contratual em bloco alegando justa causa, por falta de condições psicológicas para desempenhar o seu trabalho”, adianta o Diário de Notícias, depois de terem sido agredidos por adeptos encapuçados que invadiram a Academia de Alcochete.

Os atletas e a equipa técnica do Sporting apresentaram queixa contra os agressores na GNR do Montijo, na terça-feira à noite, sendo ouvidos até de madrugada. Mas também estarão a equacionar apresentar uma queixa-crime contra Bruno de Carvalho por “autoria moral” das agressões, avança a imprensa desportiva.

O Record refere mesmo que a equipa do Sporting desconfia que as agressões foram uma “encomenda de Bruno de Carvalho”.

Jogadores não treinam mais nas instalações do Sporting

Neste momento, paira a dúvida quanto à presença dos jogadores na final da Taça de Portugal, que está agendada para domingo, opondo o Sporting ao Desportivo das Aves. Mesmo que compareçam no jogo, a hipótese de rescisão por justa causa mantém-se como viável, segundo referem especialistas em Direito Desportivo.

Todavia, “os jogadores que estão a pensar rescindir teriam mais força se não jogassem a final da Taça”, refere ao DN o especialista Moraes Palmeiro, que já trabalhou na FIFA.

O Record avança que o médio Bruno Fernandes, que é um dos principais activos do clube, com uma cláusula de rescisão de 100 milhões de euros, já deu orientações “à família mais próxima para abandonar Lisboa e regressar ao Porto”, naquele que será um sinal de que está decidido a deixar o Sporting.

Entretanto, o treino que estava marcado para esta quarta-feira foi cancelado. E a CMTV avança que os jogadores não voltam a treinar na Academia de Alcochete, nem em Alvalade esta época, e que vão fazer a preparação física para a final da Taça no Complexo do Jamor.

O plantel reuniu-se hoje com o presidente do Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista, aguardando-se alguma informação oficial depois disso.

Antes deste encontro, Evangelista contou à CMTV que os jogadores sportinguistas ligaram-lhe “em desespero”, confessando-lhe que perante a “insegurança, a vontade é ir embora”, pois sentem que “não há condições psicológicas”. O sindicalista notava que a estrutura que dirige está “a analisar a situação do ponto de vista jurídico” para “tomar medidas legais”.

Por outro lado, o Público avança que Jorge Jesus está “decidido” a cumprir o contrato que tem com o Sporting até ao fim. O vínculo só termina no fim da próxima temporada e o treinador estará até disposto a cumprir “um ano sabático, caso a SAD opte pela sua substituição”, refere o jornal.

A possibilidade de Jesus ser suspenso, no âmbito de um processo disciplinar, chegou a ser avançada antes das agressões em Alcochete, mas foi desmentida por Bruno de Carvalho.

Note-se que a saída do anterior treinador do Sporting, Marco Silva, decorreu nesses moldes, com Bruno de Carvalho a instaurar-lhe um processo disciplinar para despedimento por justa causa.

Agressões com cintos e murros

Até agora, foram detidos cerca de 20 indivíduos sob suspeita de participação nas agressões, entre os quais se encontra o antigo líder da claque Juventude Leonina, Fernando Mendes, avança o DN.

Os cerca de 50 adeptos de cara tapada entraram na Academia por volta das 17 horas, sem enfrentarem qualquer oposição, dada a ausência de policiamento e perante a presença de um único segurança do clube.

O Maisfutebol refere que Jesus foi o primeiro a ser agredido, “quando estava sozinho” a preparar o treino, com “uma cabeçada e um murro”.

O holandês Bas Dost, o melhor marcador do Sporting, foi o que mais ferimentos sofreu, tendo que levar seis pontos na cabeça e tendo também ferimentos nas pernas. A sua ausência na final da Taça será, assim, uma certeza.

“Foi um drama para todos“, contou o avançado ao site holandês AD, um dos vários da imprensa internacional que destacou as agressões. Bas Dost confessa que os jogadores ficaram “chocados” e que viveram uma situação de “ameaça real”.

O Record nota que Bataglia e Misic foram agredidos com um cinto e que Acuna foi pontapeado no chão. E o Maisfutebol acrescenta que Fredy Montero e William Carvalho também foram “agredidos com cintos e murros”, tal como o preparador físico Mário Monteiro e o médico Varandas Fernandes.

Além das agressões, os adeptos acenderam tochas no balneário da Academia, conforme se pode ver num vídeo que foi divulgado nas redes sociais.

Enquanto os atletas eram ouvidos na GNR do Montijo e os agressores suspeitos inquiridos em instalações ao lado, centenas de sportinguistas juntaram-se no Estádio de Alvalade para apoiar a equipa e condenar os actos de violência. Entre a multidão via-se uma bandeira da Holanda, num sinal especial de apoio a Bas Dost.

A Juventude Leonina já veio demarcar-se da violência, salientando num comunicado publicado no Facebook que “não se pode rever nos actos praticados”.

O Sporting também repudiou os acontecimentos, garantindo que tomará “todas as diligências no sentido de apurar cabais responsabilidades” e de “exigir a punição de quem agiu desta forma absolutamente lamentável”.

Apelos à demissão de Bruno de Carvalho

Para Bruno de Carvalho “foi chato” tudo aquilo que aconteceu. “O crime faz parte do dia-a-dia e tem de ser punido no local certo”, disse ainda o presidente do Sporting, em palavras que alguns consideram demasiado leves para abordar um incidente de tamanha gravidade.

E a sua continuidade no comando do clube volta a ser posta em causa, com vários apelos à demissão. “Não há condições para a direcção continuar”, entende o ex-banqueiro e sócio do Sporting, José Maria Ricciardi, em declarações ao Correio da Manhã, culpando Bruno de Carvalho pelo “clima de guerrilha vivido”.

“Foi o dia mais negro na história do Sporting“, lamenta o ex-presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting, Rogério Alves, que defende “uma grande mudança de paradigma” e a saída de Bruno de Carvalho, conforme declarações à SIC Notícias.

O actual presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting, Jaime Marta Soares, já anunciou que vai convocar os órgãos sociais na segunda-feira, após o jogo da Taça de Portugal.

“Depois de serenarem todas essas situações e depois daquilo que eu acredito que será uma vitória esclarecedora, vou convidar ou convocar, se for caso disso, todos os órgãos sociais para analisarmos em conjunto o momento que o Sporting está a viver e, a partir daí, tomarmos as decisões consentâneas com esta realidade”, referiu Marta Soares em declarações divulgadas pela Lusa.

O Presidente da República também comentou a situação, confessando-se “vexado”. “São acontecimentos graves, que não podemos banalizar”, refere Marcelo Rebelo de Sousa, alertando as entidades competentes pelo futebol que “este é o momento de travar a escalada” e tomar medidas.

A Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) e a Federação Portuguesa de Futebol também condenaram os actos de violência. O presidente da LPFP, Pedro Proença, destaca que os dirigentes têm que fazer uma “reflexão profunda, porque há uma linha que foi ultrapassada”, segundo declarações à RTP3.

O Governo juntou-se ao coro de repúdio aos incidentes, classificando-os como actos criminosos e de vandalismo, numa declaração conjunta da secretária de Estado da Administração Interna, Isabel Oneto, e do secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, que garantem que se estão a criar “todas as condições para que se viva a festa do futebol” na final da Taça do próximo domingo.

Fonte: ZAP

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