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“Caiam em cima deles”. Telefonemas e testemunhos tramam Bruno de Carvalho

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Rodrigo Antunes / Lusa

Bruno de Carvalho vai ficar detido por mais uma noite, estando indiciado pelos crimes de terrorismo, ofensas e sequestro. Telefonemas, mensagens de WhatsApp e testemunhos foram determinantes para a detenção do ex-presidente do Sporting que é suspeito de ser o autor moral do ataque à Academia leonina.

Bruno de Carvalho foi detido no domingo à tarde, e passou a noite no posto da GNR de Alcochete. O líder da claque Juventude Leonina, Nuno Mendes, mais conhecido por “Mustafá”, também se encontra detido, no posto do Montijo.

Os dois homens, suspeitos de serem os autores morais da invasão à Academia de Alcochete, que terminou com a agressão a vários jogadores do Sporting, vão ser ouvidos pelo juiz de instrução criminal do Tribunal do Barreiro, Carlos Delca, nesta terça-feira, às 10 da manhã, como avança a TSF.

Vão assim permanecer mais uma noite detidos, estando indiciados pelos crimes de terrorismo, ofensas e sequestro. “Mustafá” poderá ainda vir a ser indiciado pelo crime de tráfico de droga, já que as buscas efectuadas na sede da Juventude Leonina terão levado à apreensão de 20 gramas de cocaína, ainda segundo a TSF.

Eventuais acusações contra os dois suspeitos têm que ser apresentadas até ao dia 21 de Novembro, a data em que 23 dos arguidos do processo são libertados, no âmbito do fim da medida de coacção de prisão preventiva.

Jacinto está a colaborar com autoridades

As suspeitas contra Bruno de Carvalho, que surgiram logo desde o ataque à Academia, a 15 de Maio de 2018, foram consolidadas com o cruzamento de telefonemas, com mensagens na aplicação de telemóvel WhatsApp e com testemunhos de alguns dos implicados no caso, segundo avançam o Correio da Manhã (CM) e o Jornal de Notícias.

Dessa análise resulta a certeza, para os investigadores do Ministério Público (MP), de que Bruno de Carvalho foi o autor moral do ataque. A atestar este teoria estão, em particular, dois telefonemas que são divulgados pela CMTV.

“Caiam em cima deles”, terá dito Bruno de Carvalho numa conversa telefónica com Fernando Mendes, antigo líder da Juventude Leonina que também é arguido na investigação, dois dias antes do ataque, após a derrota do Sporting no terreno do Marítimo.

Essa conversa terá tido como testemunha o ex-vice-presidente do Sporting, Rui Caeiro, que poderá vir a testemunhar no caso.

O outro telefonema surgiu depois das agressões e após Bruno de Carvalho ter dito publicamente que se tratou de “um ataque hediondo”, e de ter anunciado o corte de relações com a Juventude Leonina. O ex-presidente leonino terá descansado “Mustafá”, garantindo-lhe, numa conversa telefónica, que o corte de relações tinha sido encenado.

Esta última conversa terá sido escutada pelo ex-oficial de ligação do Sporting aos adeptos, Bruno Jacinto, que também está detido no caso. O CM assegura que ele está a colaborar com as autoridades e que terá revelado aos investigadores que “Mustafá” lhe garantiu que tinha “luz verde” de Bruno de Carvalho para o ataque.

Bruno Jacinto facilitou a entrada dos adeptos que agrediram os jogadores na Academia, e depois ajudou alguns deles a abandonarem o local.

Bruno de Carvalho deve ficar em prisão preventiva

A investigação às agressões em Alcochete já levou à detenção de 40 pessoas, contando Bruno de Carvalho e Mustafá. Os restantes 38 suspeitos estão em prisão preventiva, incluindo Bruno Jacinto e Fernando Mendes.

O juiz de instrução vai, agora, avaliar as responsabilidades e indícios contra Bruno de Carvalho e “Mustafá”, mas “tendo em conta a gravidade dos crimes” e “eventualmente, a gravidade dos indícios, poderá vir a ser aplicada a prisão preventiva“, nota o antigo ministro da Administração Interna, Rui Pereira, à Rádio Renascença.

Já o advogado de Bruno de Carvalho, José Preto, lamenta as “actuações infamantes, aviltantes e vexatórias” das autoridades e fala mesmo em “abusos extraordinários”, conforme declarações divulgadas pela RTP.

José Preto critica em particular as buscas e detenção feitas num domingo à noite, nomeadamente no Dia de São Martinho, “uma data em que as famílias costumam reunir-se”.

O advogado também se queixa de que apreenderam o computador da filha do ex-presidente do Sporting, “que precisa dele para os trabalhos da escola”.

Além disso, José Preto estranha “a detenção fora de flagrante” quando Bruno de Carvalho já tinha manifestado a intenção “voluntária” de comparecer para “qualquer diligência”.

SV, ZAP //

Fonte: ZAP

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