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Cientistas já sabem de onde vêm as emissões que estão a destruir a camada de ozono

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Greg Shirah / Paul Newman / NASA / GSFC

Buraco da camada de ozono em 2000 registado pela NASA

A Agência de Investigação Ambiental (EIA) descobriu que os clorofluorocarbonos-11, composto químico proibido em 2010, continua a ser amplamente usado na China.

Nos últimos meses, cientistas de todo o mundo foram surpreendidos com um misterioso aumento das emissões de gases que estão a comprometer, de forma drástica, a camada de ozono que protege a Terra.

Agora, um grupo de investigadores acredita ter descoberto os principais responsáveis pelos danos no nosso meio ambiente: espumas de isolamento térmico de poliuretano, produzidas na China, geralmente utilizadas para isolamento de casas.

A Agência de Investigação Ambiental (EIA), sediada no Reino Unido, identificou a presença de CFC-11, ou clorofluorocarbonos-11, na produção dessas espumas no país asiático. Este composto químico foi proibido em 2010 mas, pelos vistos, está a ser amplamente usado nas fábricas chinesas.

O relatório da EIA, divulgado esta segunda-feira, apontou a construção de casas na China como fonte destas emissões atípicas de gases. Há dois meses, cientistas publicaram um estudo que mostrava que a esperada redução do uso de CFC-11, banido há oito anos, havia desacelerado drasticamente.

Os investigadores suspeitavam que o composto continuava a ser utilizado em algum lugar do leste da Ásia. Mas a fonte exata ainda era desconhecida. Especialistas tinham receio de que o CFC-11 pudesse estar a ser usado de forma secreta para enriquecer urânio na produção de armas nucleares.

Agora, os investigadores dizem não ter dúvidas de que a fonte de produção deste composto está ligada ao uso de espuma para isolamento térmico de casas.

Agente expansor

Os CFC-11 funcionam como um eficiente agente expansor no fabrico de espuma de poliuretano, convertendo-as em isolantes térmicos rígidos usados, principalmente, como forro no teto de residências para reduzir o custo da eletricidade e a emissão de carbono.

O EIA entrou em contacto com fábricas de espuma de poliuretano em dez províncias chinesas. Depois de várias conversas com executivos de 18 empresas, os investigadores concluíram que o composto químico estava a ser usado na maioria dos isolantes de poliuretano produzidos pelas empresas.

A razão é simples: os CFC-11 têm melhor qualidade e são muito mais baratos do que os produtos alternativos. Apesar do CFC-11 ter sido banido, a fiscalização não é eficiente e, por isso, continua a ser utilizado.

“Ficámos totalmente chocados ao descobrir a abertura das empresas ao confirmarem que utilizam os CFC-11 e, ao mesmo tempo, por reconhecerem que é ilegal”, disse à BBC Avipsa Mahapatra, da Agência de Investigação Ambiental.

A EIA calcula que os gases produzidos na China estão ligados ao aumento das emissões observado no relatório da mesma agência em maio. No entanto, embora as suas descobertas sejam consideradas plausíveis, alguns especialistas acreditam que isto não explicaria, por si só, o atual elevado nível de emissão de gases que tem comprometido a camada de ozono.

Stephen Montzka, da Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), afirma à emissora britânica que “o uso generalizado do CFC-11, que parece ser evidente na China com base no estudo do EIA, é bastante surpreendente”.

O especialista pondera, contudo, ser difícil analisar com precisão o cálculo das emissões provenientes do uso do CFC-11 para “saber se é realmente possível que essa atividade explique tudo ou quase tudo que estamos a observar na atmosfera global”.

Porque é que esta descoberta é importante?

Ainda que o uso de CFC-11 em fábricas chinesas não seja o único ou mesmo o maior responsável pela emissão de gases que estão a destruir a camada de ozono, a descoberta do EIA é importante por ter identificado que uma quantidade considerável de químicos ilegais continua a ser utilizada – com a capacidade em potencial de reverter a já observada recuperação da camada de ozono.

A espuma de poliuretano fabricada na China representa quase um terço da produção global desse produto. Os investigadores calculam que a produção vai atrasar numa década ou mais o objetivo de fechar o buraco que permite os efeitos nocivos da radiação solar.

Como a China é signatária do Protocolo de Montreal – tratado de 1987 e que entrou em vigor dois anos depois -, seria possível impor sanções comerciais contra o país. Mas desde que o protocolo foi assinado, há mais de 20 anos, nenhum país foi punido com sanções e dificilmente será esse o caso neste momento.

De acordo com a BBC, é provável que a China seja incentivada a reduzir a produção de CFC-11 e poderá ser aberta uma investigação com o apoio dos responsáveis pelo protocolo para averiguar a situação nesta potência mundial.

Representantes do Protocolo de Montreal vão reunir-se esta semana em Viena, na Áustria, para elaborar um plano na tentativa de solucionar o problema.

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