Início Cultura Além de Amália e Eusébio, quem está afinal sepultado no Panteão Nacional?

Além de Amália e Eusébio, quem está afinal sepultado no Panteão Nacional?

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Jose Carlos Babo / Flickr

A Igreja de Santa Engrácia, Panteão Nacional, em Lisboa

Do fado de Amália Rodrigues ao espetáculo futebolístico de Eusébio, o Panteão Nacional é morada última de vários talentos nacionais, que marcaram a História de Portugal e levaram a imagem do país além fronteiras. Mas quem mais está, afinal, sepultado naquele monumento?

Ao contrário do que se possa pensar, além da fadista e do Pantera Negra, não são somente chefes de Estado que se encontram sepultados no Panteão Nacional.

Este edifício histórico, considerado o primeiro monumento barroco do país, destina-se a homenagear os portugueses que se distinguiram por serviços prestados nas áreas da política, da cultura, da ciência e militar, bem como na defesa dos valores, da dignidade e da liberdade.

Uma das formas de atribuir as honras do Panteão passa pela afixação de um cenotáfio – arca tumular sem corpo -, alusivo à vida e à obra das figuras distinguidas.

Essa homenagem foi atribuída ao general Nuno Álvares Pereira, ao Infante D.Henrique, aos navegadores e exploradores Pedro Álvares Cabral e Vasco da Gama, ao militar Afonso de Albuquerque e ao escritor Luís de Camões.

A outra forma, mais comum, de honrar os portugueses que marcaram a História nacional, consiste na deposição dos seus restos mortais no edifício do Panteão.

Esta ação, que só pode ser aprovado pela Assembleia da República, é acompanhada por um termo de sepultura, assinado pelo Presidente da República. De acordo com a lei, a mesma é permitida somente um ano após a morte.

FD

Os restos mortais da fadista Amália Rodrigues foram transladados para o Panteão em 2001

Entre as personalidades estão sepultadas no Panteão encontram-se, sobretudo, antigos presidentes da República e escritores, sendo as exceções Humberto Delgado, general e opositor ao Estado Novo, Eusébio da Silva Ferreira e Amália Rodrigues.

A fadista, referência nacional e internacional, viu os seus restos mortais transladados em 2011, após a alteração às disposições legais que, anteriormente, apenas permitiam a transladação quatro anos após a morte.

Por decisão unânime da Assembleia da República (AR), em julho de 2014 foi transladado para o monumento o corpo da escritora Sophia de Mello Breyner Andresen. O mesmo aconteceu com os restos mortais de Eusébio, em julho de 2015.

Além destes, encontram-se no monumento nacional os escritores Almeida Garrett, Aquilino Ribeiro, Guerra Junqueiro e João de Deus, bem como os presidentes da República Manuel de Arriaga, Óscar Carmona, Sidónio Pais e Teófilo Braga.

O estatuto de Panteão Nacional é igualmente reconhecido aos mosteiros dos Jerónimos (Lisboa), de Santa Maria da Vitória (Batalha) de Santa Cruz (Coimbra). O último homenageia o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, assim como os seus sucessores aí sepultados – Mafalda de Saboia, Dulce de Aragão e D. Sancho I.

Tradição recente, desejo antigo

Fundado na segunda metade do século XVI, na zona histórica de Santa Clara, o edifício, que passou a ter funções de Panteão Nacional em 1916, estava originalmente destinado à Igreja de Santa Engrácia.

Apesar de a transladação dos corpos para o monumento só ter iniciado em 1966, a ideia não é tão recente. Surgiu em 1836, por iniciativa do então ministro Manuel da Silva Passos (mais conhecido por Passos Manuel).

O intuito, na época, era homenagear os heróis da Revolução de 1820 e recuperar a memória para figuras esquecidas, como o poeta Luís de Camões, responsável pela criação d’Os Lusíadas, considerada a epopeia portuguesa por excelência.

No entanto, para Passos Manuel, o mentor deste projeto, não houve espaço para igual homenagem. Em 2011, a transladação do seu corpo para o Panteão não foi aprovada devido a restrições orçamentais. Pouco tempo depois, o mesmo aconteceu com o compositor Marcos Portugal.

Próximas homenagens: para quando?

Abertas estão as apostas para o próximo ilustre português a ocupar um lugar no monumento nacional. As tentativas vão surgindo.

Com a intenção de homenagear Mário Soares, o Partido Socialista (PS) e o Partido Social Democrata (PSD) propuseram, em julho de 2017, a transladação dos restos mortais do antigo presidente para o Panteão, intenção abandonada após a recusa por parte dos filhos.

Atualmente, existem petições para transladar os corpos do cônsul-geral Aristides de Sousa Mendes, do músico Zeca Afonso e do historiador José Hermano Saraiva. Quem se seguirá?

Taísa Pagno , ZAP //

Fonte: ZAP

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