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O segredo da longevidade está no George Solitário, a última tartaruga gigante das Galápagos

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rafael-ec / Flickr

Solitário George

No ADN da tartaruga George Solitário, o último exemplar da espécie Chelonidis abingdonii, uma equipa de cientistas encontrou o elixir da juventude.

O George Solitário viveu mais de 100 anos. Encontrado nas ilhas Galápagos, no Equador, este animal foi o último representante da espécie Chelonidis abingdonii e viveu na ilha Pinta, antes de morrer em 2012, sem deixar qualquer descendente.

Desde a sua morte que o seu ADN tem estado na mira da comunidade científica. Agora, uma equipa internacional de cientistas liderada pela Universidade de Yale (nos Estados Unidos) e pela Universidade de Oviedo (em Espanha) analisou o seu genoma em busca de pistas quer sobre o seu tamanho, quer sobre a sua impressionante longevidade.

A equipa de cientistas comparou o ADN do George Solitário com o de outra tartaruga gigante, o atol de Aldabra (Aldabrachelys gigantea), a única espécie viva de uma tartaruga gigante no Oceano Índico.

No estudo, recentemente publicado na Nature Ecology & Evolution, os biólogos fizeram uma análise completa ao genoma completo das duas tartarugas e chegaram à conclusão que as tartarugas gigantes têm uma série de variantes genéticas associadas à regulação do metabolismo e resposta imune, algo que poderá estar relacionado com os tamanhos excecionalmente grandes e com a longevidade destes animais.

As espécies que vivem mais tempo tendem a ter um maior risco de cancro. No entanto, os investigadores acharam curioso o facto de esta doença ser extremamente rara em tartarugas. O estudo mostrou que estes animais têm mais supressores de tumores em comparação com outros vertebrados.

Além disso, os cientistas encontraram alterações específicas em dois genes da tartaruga gigante cuja superexpressão é conhecida por contribuir para o cancro. Os cientistas sugerem assim estudos adicionais para determinar se estas características genómicas estão associadas ao desenvolvimento de tumores.

“Já havíamos descrito anteriormente nove características do envelhecimento e, após estudarmos 500 genes baseados nesta classificação, encontramos variantes interessantes que poderiam afetar seis dessas características em tartarugas gigantes, abrindo novas linhas para a investigação do envelhecimento”, explicou o cientista Carlos López-Otín, da Universidade de Oviedo.

Além disso, frisa a equipa, esta pesquisa ajudará a melhorar a compreensão da biologia da tartaruga gigante, podendo contribuir para uma melhor conservação de outras tartarugas gigantes das Ilhas Galápagos.

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