Início País Chegada de peritos espanhóis deixa Protecção Civil a “arder”

Chegada de peritos espanhóis deixa Protecção Civil a “arder”

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A tensão impera entre a Autoridade Nacional de Protecção Civil e a recém-criada Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais que é tutelada directamente pelo primeiro-ministro. A chegada de peritos espanhóis, para ajudar na prevenção dos fogos, só veio agudizar o mal-estar.

O Diário de Notícias adianta que a recém-criada Agência para a Gestão de Fogos Rurais (AGIF) “obrigou” a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) a pedir apoio à União Europeia, para a deslocação a Portugal de especialistas no combate a fogos florestais.

A chegada de três peritos espanhóis, que vão auxiliar as autoridades nacionais nas próximas três semanas, orientando acções de formação, “provocou tensão” entre os dois organismos, assegura o DN.

A vinda destes técnicos terá sido “imposta” pela AGIF, presidida por Tiago Oliveira e tutelada directamente pelo primeiro-ministro, referem fontes da Protecção Civil ao DN. “Nem a ANPC nem o próprio MAI [Ministério da Administração Interna] concordaram com o formato utilizado”, asseguram, falando em “prepotência” da AGIF.

“Um pedido de ajuda internacional já nesta altura é um atestado de incompetência aos quadros nacionais”, refere uma das fontes auscultadas pelo DN.

O pedido de ajuda, com carácter de “emergência”, foi feito ao mecanismo europeu de Protecção Civil a 23 de Abril de 2018, com a solicitação da presença “ASAP- as soon as possible” (o mais rápido possível) de “um especialista em “meteorologia e comportamento do fogo” e de dois peritos em “prevenção e supressão” de incêndios florestais, segundo apurou o DN.

O requerimento terá sido apresentado pela ANPC, apesar do desconforto sentido por esta entidade com a situação.

Tiago Oliveira explica ao DN que o pedido de ajuda internacional foi “a forma mais rápida de injectar conhecimento no sistema“. “Não há no país um perito em meteorologia, com esta especialidade”, reforça o presidente da AGIF, constatando que os outros dois especialistas “vêm reforçar o conhecimento que existe, com novas técnicas e experiências”.

Este responsável garante que desconhece qualquer tensão e conclui que “em alturas em que é necessário introduzir mudanças é normal que existam pontos de vista diferentes”.

Mas o DN lembra que as duas entidades têm revelado “sinais de algum conflito entre si”, o que se afigura como preocupante quando a época forte dos incêndios se está a aproximar.

Já a divulgação de um relatório que aponta falhas graves no combate aos incêndios de Pedrógão Grande levou o presidente da Liga dos Bombeiros, Jaime Marta Soares, a acusar o comando da ANPC de ser “prepotente” e “incompetente”.

Fonte: ZAP

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