Início País “Anormal” e sem explicação. Incêndio de Monchique sem fim à vista

“Anormal” e sem explicação. Incêndio de Monchique sem fim à vista

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Filipe Farinha / Lusa

Pelo sexto dia consecutivo, as chamas continuam a afectar Monchique e já se alastraram aos concelhos vizinhos de Silves e Portimão, com destruição de casas, carros e milhares de hectares de floresta. E nesta altura, não há dúvidas de que não é “normal” que o incêndio não esteja ainda controlado.

“Passado este tempo todo o fogo não para, situação para a qual não encontro explicação”, lamenta o presidente da Câmara de Monchique, Rui André, em declarações à Lusa, falando numa situação “anormal”.

E depois das críticas feitas pelos bombeiros profissionais quanto à ineficácia do combate, bem como da revelação de que a zona onde se iniciou o fogo tem um plano de limpeza na gaveta há sete meses, surge agora a indicação de que os 40 helicópteros contratados pela Protecção Civil para o combate a incêndios rurais, como o de Monchique, não estão devidamente equipados para enfrentar este tipo de fogos.

O Jornal de Notícias avança que estes helicópteros não estão apetrechados com produtos químicos, como espumas e géis retardantes das chamas, que poderiam revelar-se mais eficazes do que a água no combate ao incêndio.

Especialistas têm defendido o uso deste tipo de produtos em incêndios do tipo rural, com dificuldades de acesso para os bombeiros. Mas os contratos de 54 milhões de euros para a contratualização das aeronaves de combate a incêndios não exigem a capacidade de uso desses produtos.

O JN atesta que nenhum dos 12 aviões que está a ser usado no incêndio de Monchique está a utilizar estas espumas ou geis retardantes de chamas.

Uma situação que é um “prejuízo incrível”, como nota o presidente da Liga dos Bombeiros, Jaime Marta Soares, ao JN. “Em zonas de orografia difícil, como Monchique, é obrigatório o uso de retardantes”, atesta, notando que “a água evapora-se muito antes de chegar ao solo”.

“Só num país destes é que se pode dar ao luxo de não lançar uma carga de material retardante, que equivale a 15 cargas de água“, diz ainda Marta Soares.

O presidente da Câmara de Monchique também se queixa do mau ordenamento florestal como causa do prolongamento do incêndio que fustiga o concelho.

“O concelho tem sido votado ao abandono pelo sucessivos governos ao longo dos anos, e pouco tem sido feito ao nível do planeamento”, critica Rui André, lembrando que Monchique era apontada como uma das zonas com maior risco de incêndio para este ano.

Mancha de “pó, areia e fumo” vista do espaço

O fogo de Monchique continua sem dar tréguas aos operacionais e meios de combate que enfrentam “fortes reactivações” que, geradas pelo vento, “tomam de imediato grandes proporções”, segundo a Protecção Civil.

De acordo com o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais (EFFIS), o incêndio já destruiu mais de 21.300 hectares, o que constitui metade da área ardida na região em 2003.

A área ardida tomou tais proporções que foi fotografada do espaço pelo astronauta alemão Alexander Gerst, da Agência Espacial Europeia (ESA). “Padrão climático dramático sobre Portugal hoje. Parece uma mistura de pó, areia e fumo”, nota o astronauta no seu perfil do Twitter, a par das imagens que tirou do incêndio.

No terreno, continuam mais de 1.400 operacionais, apoiados por dois meios aéreos e 550 viaturas. Mas a Protecção Civil anuncia que a resposta vai ser reforçada. “Existem duas frentes de incêndio onde existem mais pontos quentes e onde vamos entrar de forma mais robusta”, explicou a segunda comandante nacional da Protecção Civil, Patrícia Gaspar, em conferência de imprensa.

O ministro da Administração Interna também anunciou que a coordenação das operações passou do comando distrital de Faro para o Comando Nacional da Autoridade Nacional de Protecção Civil. “Isto permitirá reforçar a mobilização de meios“, referiu Eduardo Cabrita aos jornalistas.

As últimas informações dão conta de que pelo menos 250 pessoas terão sido retiradas de casa, ao longo da noite, nas povoações em maior risco. Entre os feridos contam-se 32 pessoas, uma delas em estado grave.

O fogo já alastrou de Monchique até aos concelhos de Portimão e de Silves, onde destruiu várias casas à entrada da cidade, e já destruiu quatro vezes mais do que a área ardida este ano até 15 de Julho (5.327 hectares), em todo o território nacional.

No ano passado, as chamas destruíram mais de 440 mil hectares, o pior ano de sempre em Portugal, segundo dados do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Fonte: ZAP

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