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Rui Rio dispensa o publicitário “mágico” de Passos

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António Cotrim / Lusa

A magia de André Gustavo, responsável pelas vitórias de Passos em 2011 e 2015, custou 1,39 milhões de euros aos cofres do PSD. Mas Rui Rio não está interessado nos poderes do publicitário brasileiro.

Aquele que foi considerado o “mago” responsável pelas vitórias de Passos Coelho em 2011 e 2015 vê, agora, Rui Rio dizer-lhe adeus. Segundo avança o Observador esta sexta-feira, André Gustavo não vai voltar a trabalhar com o PSD.

De acordo com as contas anuais do partido, divulgadas pelo Tribunal Constitucional em junho, a empresa Arcos Propaganda ainda cobrou 89.232 euros aos sociais-democratas no ano passado, ano em que Gustavo foi envolvido no caso Lava Jato. Em seis de sete anos da liderança de Passos, o publicitário cobrou um total de 1.388.456 euros ao PSD.

Agora, José Silvano, atual secretário-geral do partido, confirmou ao diário que, sob a liderança de Rui Rio, os sociais-democratas não voltarão a contratar o “mago” André Gustavo.

José Silvano sublinha que, pelo menos para já, o PSD não vê qualquer necessidade de fazer contratações externas na área da comunicação, a área que é coordenada por Florbela Guedes, antiga diretora de comunicação da câmara municipal do Porto durante os mandatos de Rio (2002-2013).

Saber quanto é que o PSD gastou com André Gustavo só é possível, contudo, porque durante a liderança de Passos, em 2013, o partido começou a comunicar em detalhe nas suas contas quem eram os seus fornecedores. Pelo contrário, o PS, o PCP e o Bloco só divulgam o número do fornecedor, e não o nome.

Certo é que a lei não exige de forma clara esse dado, pelo que nem todos os partidos indicam o nome da identidade que lhes presta serviço. Neste âmbito, o PSD é o partido mais transparente e vai continuar a sê-lo nas contas de 2018. No próximo ano, pretende dar mais um passo nesse sentido e colocar essa informação online, disponível para todos os que a queiram consultar.

Como tudo começou

André Gustavo conheceu Luís Filipe Menezes numas férias e, desde então, ficaram amigos. Foi através de Menezes que o publicitário brasileiro conheceu Marco António Costa, número dois do autarca na câmara de Vila Nova de Gaia. Mais tarde, Marco António apresentou-o a Miguel Relvas.

Gustavo acabou por ser convidado por Miguel Relvas para fazer um diagnóstico sobre o cenário político em Portugal e Passos Coelho gostou do que leu. Aí, Relvas recebeu luz verde e convidou o brasileiro a trabalhar nas legislativas de 2011.

Depois da vitória, que levaria Passos a primeiro-ministro, o PSD convidou André Gustavo a continuar a trabalhar com o partido. De 2011 a 2015, fez um trabalho de monitoramento estratégico, de pesquisa e de acompanhamento do cenário, como o próprio explicou ao semanário Expresso por altura da campanha de 2015.

Em equipa que ganha, não se mexe. Passos seguiu este lema e voltou a contar com Gustavo na campanha das legislativas de 2015: e voltou a vencer.

Todavia, em julho do ano passado, Passos Coelho foi apanhado de surpresa pelas notícias da imprensa brasileira que davam conta de que André Gustavo tinha sido detido.

Já este ano, Gustavo foi julgado pelo juiz Sérgio Moro na Operação Lava Jato e condenado por corrupção e lavagem de dinheiro a uma pena de 6 anos, 6 meses e 20 dias de prisão em regime semiaberto. Moro decidiu pela progressão da pena, dado que Gustavo confessou os crimes e colaborou com a Justiça.

Mas, apesar de ter saído da prisão, Gustavo ficou impedido de sair do país, de ser contratado para cargos públicos e de ter contacto com outros arguidos na investigação.

Quanto custou a magia de André Gustavo ao PSD?

Segundo o relatório da Entidade das Contas e dos Financiamentos Políticos do Tribunal Constitucional, em 2012, foram registados 80.000 euros em serviços prestados pela Arcos Propaganda, SA só entre setembro e dezembro. No fundo, somando os seis anos, André Gustavo custou aos cofres do PSD, pelo menos, 1,39 milhões de euros.

Os maiores gastos com a empresa do publicitário brasileiro registaram-se em 2015, ano de legislativas: 868.943 euros num só ano – 268.943 registados nas contas anuais do partido aos quais se somam 600.000 euros na campanha das legislativas.

Fonte: ZAP

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