Início País Espanha está a envenenar o Rio Tejo (é uma “indecência ecológica”)

Espanha está a envenenar o Rio Tejo (é uma “indecência ecológica”)

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Paulo Cunha / Lusa

Um manto de espuma cobre a água do Rio Tejo, junto ao açude de Abrantes.

É um “cocktail de desastre” que está a sufocar o rio Tejo. Análises efectuadas à água do rio, desde a nascente em Espanha, até à foz em Portugal, revelam uma situação preocupante, e do outro lado da fronteira fala-se de “uma indecência ecológica”.

Uma reportagem da revista Sábado mostra como Espanha “maltrata” o Tejo, com base em análises efectuadas desde a nascente até à foz do rio.

Os resultados apontam que o Tejo chega a Portugal com elevados índices de poluição, melhorando à medida que corre por território nacional.

Além de algas, entre as substâncias detectadas nas análises efectuadas pela Sábado, estão “oito vezes mais fósforo do que o máximo recomendado”, “azoto também acima do normal” e “um valor de oxigénio dissolvido na água a rondar os 2 mg/l, quando o mínimo para um rio saudável são 5 mg/l“, como refere a revista.

A contribuir para esta situação preocupante estão factores como os esgotos de Madrid, o desvio de água para a rega de campos agrícolas de Múrcia e as diversas barragens que se estendem pelo leito do rio.

Para gastarem menos dinheiro, as barragens espanholas de Alcantara e Cedillo fazem descargas de água no fundo, ao invés de à superfície, o que aumentaria o nível de oxigénio no rio.

“O pior que sobra da ditadura de Franco”

E até do outro lado da fronteira, se critica a forma como Espanha faz a gestão das águas do Tejo, com o Presidente da Junta de Comunidades de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, a referir que estamos perante “uma indecência ecológica” e um “atropelo anti-ecológico”, conforme declarações divulgadas pelo Diário de Castilla-La Mancha.

García-Page critica em particular o transvase Tejo-Segura, um aqueduto que é definido como uma das maiores obras hidráulicas da engenharia espanhola e que leva água das barragens de Entrepeñas (Guadalajara) e Buendía (Cuenca) até ao rio Segura.

O transvase Tejo-Segura é o pior que sobra da ditadura de Franco“, refere García-Page. O canal do aqueduto leva, actualmente, “50% mais de água do que hoje atravessa o rio Tejo”, acusa ainda. E sobre o Tejo diz que parece “um esgoto”.

O Presidente da Junta de Comunidades de Castilla-La Mancha apela ao Governo espanhol, e às regiões vizinhas de Murcia e Valência, que se alcance um acordo em matéria de gestão de água.

Também os ambientalistas da Associação Zero apelam à tomada de medidas para promover a melhoria da qualidade da água no Tejo.

“Os caudais mínimos são semanais e deviam ser diários, para haver uma continuidade de caudal e ajudar à diluição da carga poluidora”, refere ao Correio da Manhã a vice-presidente da Zero, Carla Graça.

Esta engenheira do ambiente explica, em declarações à Sábado, que as “flutuações” nos caudais “não permitem uma boa saúde do rio”. “Um dia pode haver um grande caudal libertado por Espanha e nos restantes só 600 litros, o que não é nada”, sublinha Carla Graça.

Assim, a Zero espera que o assunto seja abordado na cimeira ibérica entre Portugal e Espanha, na próxima semana. Mas até agora, não é certo que o tema faça parte da agenda.

Fonte: ZAP

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