Início País “Governo português tem uma dívida de gratidão para com os gregos”

“Governo português tem uma dívida de gratidão para com os gregos”

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O atual líder do movimento pan-europeu DiEM25, empenhado na formação de um movimento transnacional, participou esta quarta-feira no desfile na Avenida da Liberdade comemorativo do 25 de Abril, integrado no partido Livre.

Yanis Varoufakis, ex-ministro das Finanças grego, afirma que foram os gregos que abriram caminho ao Governo de esquerda em Portugal, ao lutarem contra a austeridade.

Em declarações ao Público, o antigo ministro critica as declarações de Centeno a defender que os gregos deviam fazer mais em termos de implementação do pacote de memorando para o crescimento, chegando a considerá-las erradas. “Isto é, de um modo fascinante e preciso, errado”, declarou.

Além disso, Varoufakis critica o ministro das Finanças português por ter celebrado um crescimento que não existiu. “Todos os anos na Grécia se celebra o crescimento e há estatísticas que o mostram, e depois, em abril do ano seguinte, surge a correção e vê-se que não houve crescimento. Não há crescimento”, insiste.

O vosso ministro celebrar um crescimento que não existiu é tornar a situação ainda pior. Especialmente vindo de um ministro das Finanças que nunca seria ministro das Finanças se o povo da Grécia não tivesse lutado contra aquelas chamadas reformas na primavera de 2015″, frisou.

É por esse motivo que “o Governo de esquerda – ainda bem que o têm – em uma dívida de gratidão para com aqueles que, como nós, lutamos contra as chamadas reformas que o vosso ministro das Finanças nos está a pedir para engolir“.

O que mudou com Centeno no Eurogrupo? “Nada”

O político que criou e lidera o movimento pan-europeu DiEM25 defende que, apesar de Centeno ser um “homem bom”, o problema é que “nada mudou” desde que é presidente do Eurogrupo. A culpa é da Alemanha, do “fantasma de Wolfgang Schäuble que ainda dita a política”.

“O vosso ministro das Finanças é um homem bom, mas no momento que aceitou a presidência do Eurogrupo tornou-se um instrumento do Eurogrupo e não o seu contrário. Olaf Scholz vem do SPD mas teve de jurar aliança ao programa de Schäuble. Talvez acredite nele, talvez não. Mas vai cumpri-lo”, afirmou.

“Precisamos de um movimento pan-europeu”

O atual Governo em Portugal foi formado porque já não era possível à Alemanha esmagar a esquerda portuguesa, como sucedeu com a Grécia no verão de 2015, disse o ativista grego.

“O Presidente da República portuguesa nunca daria o mandato à esquerda para formar este governo sem a ‘luz verde’ de Berlim, que estava preocupado com a perda da imagem da chanceler Angela Merkel, que tinha esmagado a Grécia no verão de 2015″, afirmou em entrevista à Lusa o antigo ministro.

“A destruição do Governo Syriza implicou que Angela Merkel perdesse muito capital político. E para ela era impossível também esmagar a esquerda portuguesa. Foi por isso que o vosso governo obteve ‘luz verde’ e registou-se um grau de tolerância face a este governo de esquerda em termos de terminar com a austeridade. Por isto, precisamos de um movimento pan-europeu“, sublinhou.

O DiEM25 – Movimento Democracia na Europa 2025 – agrupa diversas formações internacionais, incluindo o partido Livre de Rui Tavares, após o Parlamento Europeu ter rejeitado o princípio da apresentação de listas transnacionais para o escrutínio de 2019.

“Penso que os desenvolvimentos em Portugal e o facto de se ter formado este Governo são passos muito positivos, que saúdo. E também envio as minhas felicitações pessoais por terem conseguido travar a austeridade, e garantir à sociedade portuguesa um espaço para respirar”, assinalou Varoufakis.

Este não é um combate português, mas sim um combate europeu, defende o ex-ministro. Este Governo em Portugal nunca teria sido formado se não desencadeássemos a nossa luta antes de 2015 na Grécia”, assegurou.

O DIEM25 é assim definido pelo seu dirigente como um “local de democratas radicais“, que inclui marxistas, feministas, ecologistas e “liberais antissistema”, unidos para além das fronteiras ou filiações partidárias.

“O facto de estar aqui hoje em Portugal é uma demonstração de que a Revolução dos Cravos também foi a minha revolução. E exatamente após o que aconteceu em 2015, e sinto isso nas ruas, é também a sua luta, é uma luta que a humanidade deve combater em conjunto”, frisou.

Fonte: ZAP

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