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Ex-chefe de gabinete da Defesa assume ter recebido memorando sobre Tancos

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Paulo Cunha / Lusa

Guarita abandonada no complexo militar de Tancos

O general Martins Pereira, antigo chefe de gabinete do ministro da Defesa Azeredo Lopes, assumiu pela primeira vez ter recebido documentação sobre a operação em Tancos. 

Em declarações à RTP, Martins Pereira confirmou ter recebido um memorando sobre a operação das armas recuperadas de Tancos, revelando que entrou a documentação ao  Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

“A documentação verdadeira foi entregue hoje no início da tarde, no DCIAP, pelos serviços do meu advogado”, adiantou o chefe do gabinete, admitindo pela primeira vez ter na sua posse o documento desde novembro de 2017.

Até então, Martins Pereira já tinha assumido na última quinta-feira a existência de uma reunião no Ministério da Defesa com o então diretor da PJM, o coronel Luís Vieira, e o major Vasco Brazão, investigador daquela polícia. O antigo chefe de gabinete de Azeredo Lopes tinha admitiu o encontro, sem revelar o seu propósito.

Martins Pereira não revela se o Ministro da Defesa estava ou não a par da situação. Azeredo Lopes já reiterou que não tinha conhecimento da documentação.

“Queria dizer categoricamente que é totalmente falso que eu tenha tido conhecimento de qualquer encobrimento neste processo. Não tive conhecimento de qualquer facto que me permitisse acreditar que terá havido um qualquer encobrimento na descoberta do material militar de Tancos”, garantiu Azeredo aos jornalistas em Bruxelas.

Por sua vez, Vasco Brazão, pediu para ser ouvido novamente. De acordo com o seu advogado, Ricardo Sá Fernandes, o major pretende entregar memorando apresentado em novembro ao ex-chefe de gabinete de Azeredo Lopes.

Sá Ferandes disse ainda que “só há um memorando”, esperando que antigo chefe de gabinete “honre a verdade”.

Martins Pereira agiu de acordo com o seu dever

“O senhor general Martins Pereira agiu, com certeza, de acordo com o que considerou ser o seu dever”, comentou nesta quarta-feira em declarações ao Público o ministro da Defesa, referindo-se à entrega do memorando sobre a encenação em Tancos – sem responder se viu esse documento.

O assunto aqueceu o debate parlamentar desta quarta-feira. Fernando Negrão, líder de bancada do PSD, perguntou insistentemente a António Costa se tinha conhecimento do memorando em causa. O primeiro-ministro garantiu que não tem conhecimento do documento, tal como não tem o ministro da Defesa Azeredo Lopes.

Negrão retorquiu, dizendo achar “muito estranho” que o ex-chefe de gabinete não tenha transmitido essa informação ao ministro. E Costa atirou com outra insinuação: “Como é que sabe se o documento é ou não importante. O que sabe que não nos quer contar?”

“Um dia haveremos de saber o que é que cada um sabia sobre esta história de Tancos”, disse o primeiro-ministro.

Também Marcelo Rebelo de Sousa falou sobre o tema, reafirmando que deve ser apurado “tudo o que é preciso apurar”. “Quanto à devolução das armas, mas também, não esqueçamos, quanto ao furto”, disse o Presidente da República.

“Às tantas fala-se da devolução, imenso, mas para haver devolução é porque elas [as armas] primeiro foram furtadas. Quanto às duas situações, [tudo] deve ser apurado integralmente, doa a quem doer”, sublinhou.

Fonte: ZAP

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