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CP: Viriato interrompe vereadora para reclamar desleixo da Câmara sobre a Casa da Boavista

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Casa da Boavista; fotografias tiradas no sábado, dia 3 de fevereiro

Foi durante o discurso da Vereadora da Cultura, Paula Melo, aquando a apresentação de um livro de Mário Gonçalves Pereira, que o Viriato Soares de Almeida, o usufrutuário da Casa da Boavista falou, no passado sábado, com o objetivo de  informar sobre o estado de degradação da casa que estava a acolher a apresentação do livro de Mário Gonçalves Pereira, “Sobrado de Paiva Medieval”.

O Viriato acusou a autarquia de não se prenunciar sobre a situação da casa da Boavista, de não intervir naquele património, e de “não responder à carta registada” que enviou reclamando um acordo que vise negociar o futuro da casa, bem como a criação, prevista no testamento, da casa Museu.

“Se querem a casa esmagada. Então esmaga-se a casa”, frisou na sua intervenção. Contou que o local, considerado património nacional, encontra-se com árvores a cair, como o recente caso no pátio exterior da Casa da Boavista. “Há árvores a cair, que breve esmagam a escadaria, o edifício parece ruínas”, acrescentou.

Árvore caída com o temporal em Dezembro; Fotografia: facebook Paulo Ramalheira Teixeira

Ao jornal Paivense o Viriato Soares de Almeida disse que “só queria que a câmara respondesse sobre o que está a acontecer e que criem a Casa Museu, como previsto no testamento, deixado pelo senhor Conde, pois não precisa de ser feito um espaço hoteleiro como em Oeiras, há planos urbanísticos que podiam render e muito” no local.

O Viriato Almeida contou que está disposto a entrar em acordo com a Câmara, a fim de abrir mão, com uma pequena penalização, da Casa da Boavista, e demonstrou que essa era a sua vontade ao invés de ver o local a degradar-se com os anos e sem qualquer intervenção. “Eu não tenho recursos económicos para fazer essa manutenção, como já foi comprovado”, esclareceu.

A vereadora aceitou calmamente a interrupção ao seu discurso, defendendo-se com o facto de estar há pouco tempo como membro da autarquia, admitindo a possibilidade de Castelo de Paiva “seguir o modelo de Oeiras”. Frisou que este é um caso que a autarquia vai tentar resolver.

Também Martinho Rocha, presidente da ADEP, alertou para uma reflexão, por parte da população e do atual executivo, sobre o testamento deixado pelo Conde de Castelo de Paiva.

“Ouve-se frequentemente que só depois da terceira geração é que a Câmara será proprietária e só depois é que poderia criar a Casa Museu em Castelo de Paiva. São opiniões muito convenientes mas de facto não temos de esperar porque à hora do falecimento do Conde essa geração não existia, por isso não vai existir agora”, contou Martinho Rocha durante a sessão da apresentação do livro, que não tinha este debate programado no guião da cerimónia.

Procedimento de Oeiras:

Palácio dos Arcos; Fonte: Publimaster

O Viriato Soares de Almeida, de 72 anos, salientava em 2008 que a compra, por parte da Câmara de Oeiras  do usufruto vitalício aos herdeiros do Palácio dos Arcos, “não extingue a obrigação testamentária de criar a casa-museu”.

O mesmo está a acontecer com o património da Casa da Boavista, em Castelo de Paiva.

O Viriato de Almeida trabalhou desde os 16 anos no palácio e lamentava, naquela altura, o estado a que o imóvel chegou e o destino incerto do espólio deixado ao município, à semelhança do sucedido no sábado, na apresentação do livro de Mário Gonçalves Pereira.

Em 2010, a Câmara de Oeiras adjudicou o projecto de adaptação e exploração do Palácio dos Arcos como unidade hoteleira ao grupo Vila Galé.

Em 2013, o Expresso lançava no jornal que “A Vila Galé abriu a 25 de abril o Hotel dos Poetas em Paço de Arcos, que resulta da recuperação do Palácio dos Arcos, um edifício quinhentista que lhe foi concessionado pela Câmara de Oeiras por um período de 50 anos. A recuperação do antigo palácio do Conde de Arrochella e de Castelo de Paiva envolveu investimentos de cerca de €10 milhões”.

Agora, o Palácio dos Arcos está a ser utilizado como um hotel boutique de 5 estrelas. O Viriato Almeida reclama que se faça algo no património de Castelo de Paiva, embora até hoje, o mesmo não tenha sido transformado em Casa-Museu,  como previa o testamento do Conde, nem no setor hoteleiro.

Reclamar as responsabilidades:

O caso está a ser investigado pelo Jornal Paivense a fim de tentar apurar as verdadeiras causas do estado da Casa da Boavista, bem como os projetos da autarquia para este local.

LEIA MAIS:

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